Além de disponibilizar
o áudio, a galera do Green Day
Eulogy colocaram no ar a tradução
do discurso feito por Billie Joe na
cerimônia realizada no último sábado. Confira.
“Meu nome é Billie Joe,
este é Mike e este é Tré Cool e nós estamos aqui para induzir o
Guns N’ Roses ao Rock and Roll Hall of Fame. A primeira vez
que vi Guns N’ Roses na MTV, eu pensei que um desses caras
poderiam acabar mortos ou na cadeira. O riff de introdução de
‘Welcome to the jungle’ é uma viagem ao submundo de Los
Angeles. Este passeio não era sobre festas, glamour ou baladas
poderosas. Era sobre o fraco submundo dos que não se encaixavam,
viciados em drogas, paranóia, sexo, violência, amor, raiva e cracks
de Hollywood.
Foi um fôlego
de ar puro! Nem é preciso dizer que eu comprei o disco.
‘Appetite for Descruction’ é o melhor primeiro álbum da
história do rock’n’roll. Você pode citar alguns outros,
se quiser, mas hoje à noite, o Guns N’ Roses recebe a
coroa.
Cada canção
tocou profundamente todos os níveis emocionais. Te leva à uma
viagem pelo fraco submundo de Los Angeles em uma sequência brutal:
‘Welcome To The Jungle,’ ‘It’s So
Easy,’ Nighttrain,’ ‘Out To Get Me,’
‘Mr. Brownstone, ‘Paradise f—kin City,’
‘My Michelle,’ ‘Think About You,’
‘Sweet Child O’ Mine,’ ‘You’re
f–kin’ Crazy,’ ‘Anything Goes’ e
‘Rocket Queen.’
Eles estavam
tocando em um buraco suado na parede, escrevendo músicas em caixas
de pizzas e guardanapos de bar, procurando por bebida grátis e um
lugar para explodir, e eles o fizeram por amor de tocar um alto e
bom rock’n’roll. O que os diferencia de todo mundo é a
coragem, o coração e a alma. E mais importante, eles disseram a
verdade e criaram uma imagem do mundo maluco em que
viviam.
Eu detestava
baladas poderosas. Detestava músicas que tocavam demais. Como um
jovem músico, eu suplicava por algo a mais – e
‘Appetite for descruction’ trouxe isso. No fim das
contas, ele se tornaram a maior e melhor banda de rock and roll e
isso com apenas um álbum.
Depois disso, o Guns N’
Roses mandou ‘GN’R Lies’ — um album metade
ao vivo e metade acústico. A maioria das pessoas acham que músicas
gravadas em acústico podem mostrar um lado mais sensitivo do músico
de rock.
[Risos] Não é
sensitivo. Mas este álbum fez com que eles se encontrassem como
foras da lei, e eles não perderam seu caminho em nenhum momento.
[Alguém da platéria grita 'I used to love her'-'eu costumava
amá-la'] [Billie Joe responde] But I had to kill her – Mas eu
tinha que matá-la!
A música
‘Patience’ é uma balada imortal sobre amor e ansiedade
como se o personagem estivesse tentando falar consigo mesmo da
beirada de um prédio alto. Também existia aquela brincadeira de
‘I Used To Love Her But…’
[O público responde em coro
“I had to kill her!” - Eu tinha que
matá-la!]
Quem sabe se
isso é brincadeira? Como dizem, toda brincadeira tem fundo de
verdade.
E ‘One In A
Million,’ esse é o momento que a coisa toca o fã. Basicamente
contou a história de um fazendeiro ignorante que se muda à uma
cidade qualquer desconhecida, e isso é tudo o que direi a
respeito…
E então eles mandaram não um,
mas dois álbuns. ‘Use Your Illusion I’ e ‘Use
Your Illusion II.’
Os novos
discos que fizeram com que os fãs literalmente quebrassem as lojas
para ouvir o que o Guns havia trazido. Esses álbuns mostraram uma
avalanche de músicas conhecidas – ‘Right Next Door To
Hell,’ ‘You Could Be Mine,’ até as baladas em
piano, como ‘November Rain’ and ‘Don’t
Cry,’ e então, levaram o ouvinte a uma viagem mental
desconhecida que talvez, um serial killer poderia
entender?
Essa era da
banda os levou a um novo nível internacional, fazendo tour em
arenas e estádios, vídeos caros e público bonito, gritaria,
delírio, controvérsia, e tocaram em países nos quais Duff nem
sequer se lembra de ter estado – todos os igredientes de uma
grande banda de rock and roll.
Steven Adler,
tocando bateria em ‘Appetite’ foi perfeito. Era como
uma combinação perfeita entre surrar canções pesadas de rock e se
encontrar em uma sensação leve. É inacreditável, cara, é
ótimo.
Matt Sorum.
Você chegou discretamente e trouxe… [Armstrong pausa].. O
que você trouxe? Trouxe novas dinâmicas e poder e seu primeiro show
foi o Rock in Rio… bem-vindo à banda!
Dizzy Reed,
você toca um keyboard sacana – continue com o bom trabalho.
[Armstrong dá um possivelmente sarcástico
joinha]
Duff McKagan.
O garoto punk rock de Seattle. Você é como Johnny Thunders com um
baixo. A parte do baixo em ‘Sweet Child O’ Mine’
é tão boa, você pode cantar com ela. E você tem uma grande família
aqui, todos orgulhosos de você e você esteve em uma banda chamada
The Farts.
Izzy
Stradlin. Onde quer que você esteja, eu espero que possa me ouvir
agora. Provavelmente deve estar dirigindo uma motocasa pelo Egito
agora. Você é como Miles Davis do rock and roll. A forma que você
tocava e tecia com Slash era uma arte natural. Você tem aquele
amuleto de Ronnie Wood, estou te dizendo.
Gilby Clarke – Eu amo
você, onde você está? [Olha em direção ao Clarke na
platéia.]
Slash —
Enquanto todo guiarrista nerd em LA estava indo na aba de Eddie Van
Halen, você tomou uma direção totalmente diferente. Você criou algo
entre Eric Clapton, Jimmy Page e Joe Perry e levou isso à sua
própria era moderna. Consigo me identificar imediatamente com seus
leads e riffs, porque você os incorpora. Sua forma de tocar
guitarra é uma extensão do seu coração e alma. Te ver sem uma
guitarra e um chapéu é estranho.
Sabe,
originalmente, eles queriam que o Green Day tocasse músicas do Guns
N’ Roses. Eu tenho um filho de 13 anos que está aprendento a
tocar guitarra com o Youtube. Ele fica tocando músicas do Strokes e
tem melhorado bastante nisso. Eles nos pediram para tocar e eu
pensei ‘Eu posso aprender a tocar Paradise City com o
Youtube, sim, porque meu filho está fazendo
isso.’
E tinha um
garoto de 12 anos no Youtube tocando Paradise City – e ele
era melhor guitarrista do que eu jamais poderia ser, e pensei
comigo mesmo. ‘Caras, nós não vamos tocar… não tem
como a gente fazer justiça – é
impossível.’
Obrigada por
me fazer parecer mal na frente do meu filho de 13 anos, Slash! E
vamos ver, quem estou esquecendo? [A platéia começa a vaiar,
provavelmente pela ausência de Axl Rose]
Não, calem a
boca, calem a boca, calem a boca! Este cara é um cantor foda. Ele é
um dos melhores cantores que já tocaram em um microfone. Suas
letras são sinceras, apaixonadas, raivosas e você diz a verdade,
não importa a que preço.
Seu alcance
vocal vai de um quieto sussurro a algo poderoso, até que você
esteja gritando desesperadamente. E você é louco. Hey, a maior
parte dos cantores são loucos – posso garantir. Mas sabe,
estar em uma banda é uma coisa bem complexa. Você passa por eras e
capítulos de sua vida.
A maior parte
das pessoas não passam por qualquer era ou capítulo. Eles só sentam
por aí, assistem tv e fazem sempre a mesma coisa repetidamente,
todos os dias. Mas com uma banda, sua era e seus capítulos são seus
álbuns. Esta é a sua arte. Você nomeia aquele momento de sua vida,
por assim dizer.
É uma fase da
sua vida bem ali. Você fala sobre onde estava quando escreveu
aquela música, você fala onde estava quando a gravou. Fala sobre a
primeira vez que a tocou. Esta é sua vida. Estas são as nossas
vidas. É isto que fazemos.
Mas às vezes,
você precisa olhar pra trás e ver os antigos capítulos, se quiser
seguir em frente. E a razão de olhar para trás é para saber de onde
você veio.
Senhoras e
senhores, Guns N’ Roses!”
A apresentação completa será
exibida no dia 5 de maio pelo canal americano HBO.
Postado Por:
Cacáh | Fontes: Green Day
Eulogy| Green Day
Authority| Ultimate
Classic Rock
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